quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Take it rise

A crise como oportunidade
Uma desculpa simples de retomada
Elaborada para querer o cedido
Sem contar para quem
Numa TV sintonizada
E cenário escondido

Uma crise para cada um
Em sua indevida proporção
Sobre os pobres, mais carga
Sobre os ricos, não
Um beijo que sempre amarga
A velha marca da traição

Decompositor

Da ressaca dos festivais
Aos tapas do dia a dia
Uma aprovação sumária
Do que se auto decidira

Abre-se mão do formal
Lança-a sobre a forma
O mofo do ranço germina
Em questões de segundos

Seguido de um encegamento
à la verme - dilacerador
Pondo de pronto em xeque
letra e melodia do compositor

E lá se vai a banda

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

De primeira

Os tempos áureos na memória
Imperecem em sua história
Repetem-se em breves loopings
E novamente se repetem
Antropofagicamente

Lembranças de falas indubitáveis
Passeatas, pedaladas e cavalgadas
Todo o trajeto à vitória
Direções e coordenadas
Da força ante o social

Entoa coro de felicidade
Segura a barra quando ninguém
Por vezes sem discernir
Pulsa-lhe a essência firme
Vão-se os dedos, ficam os anéis

Os tempos áureos na memória
Imperecem em sua história
Repetem-se em breves loopings
E novamente se repetem
Antropofagicamente

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O quinto

Vamos lá, minha gente
É só isso mesmo?
Diariamente o mesmo roteiro
Só de ouvir, dói a cabeça
O corpo sente, a alma corrói

Afinal, é isso que faz gente
Repetir-se di-a-ri-a-men-te
O mesmo sono
A certa hora de sorrir
Por-se demais, destoa

O dono da banca não perdoa
Vende pregos para cruzes
Anuncia a venda como boa
Expondo seus corpos escravos
Pregados e estirados

E o melhor, produto fretado
Em pé, para melhor acomodá-lo
Tudo pensado à base de satisfação
Ninguém sai insatisfeito deste balcão
A mercadoria serve, sendo latente

Então é isso, minha gente!
Algum dia alguém, não se sabe quem
Reinventará remédios aos doentes
Um afago na embalagem
Uma esmola aos carentes

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Reverse

A vida crua aqui é indigna
A ficha cai com o fim da inocência
Cercados pelos sentidos de dor e ódio
Consumidos pela influência, por pódio

Quando no peito não há tiro
Há medalha de sorte no mérito
Há derrota da morte pra sobrevida
Não estira, apenas existira

Chapéu se tira pra quem vê
Na vida a glória de ensaiar viver
Torcer o simples e colher o pouco
O pouco que ainda preenche sufoco

É a beleza localizada na mente
Doentes as de alguns indigentes
E fortuna boa ao humildes de essência
Garantidora da longevidade e vivência

terça-feira, 25 de julho de 2017

A priori

Nem sido fácil tem
Um furo no sapato do descalço
Sono leve de pavio curto
Um grito para derrubar os muros
Buracos no colchão são refúgios
Umas bagagens na bolsa velha
Camisa sem primeira casa
Uma lista de futuros urgentes:
saúde, paz e amor.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Frente Fria

Os dedos no teclado cotidiano
Olhos em palavras de terceiros
Rangidos entre dentes no quarto
A mão no cabelo enrolado

Um radar para multar o calendário
ou um buraco de dedão no sapato
Sem paradas despreparadas
Divórcio da essência e o palpável

Simplifica a capacidade da paz
a pouco mais de seis metros quadrados
Cercada pelas paredes do silêncio
A alma deita e se esquenta