quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O quinto

Vamos lá, minha gente
É só isso mesmo?
Diariamente o mesmo roteiro
Só de ouvir, dói a cabeça
O corpo sente, a alma corrói

Afinal, é isso que faz gente
Repetir-se di-a-ri-a-men-te
O mesmo sono
A certa hora de sorrir
Por-se demais, destoa

O dono da banca não perdoa
Vende pregos para cruzes
Anuncia a venda como boa
Expondo seus corpos escravos
Pregados e estirados

E o melhor, produto fretado
Em pé, para melhor acomodá-lo
Tudo pensado à base de satisfação
Ninguém sai insatisfeito deste balcão
A mercadoria serve, sendo latente

Então é isso, minha gente!
Algum dia alguém, não se sabe quem
Reinventará remédios aos doentes
Um afago na embalagem
Uma esmola aos carentes

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Reverse

A vida crua aqui é indigna
A ficha cai com o fim da inocência
Cercados pelos sentidos de dor e ódio
Consumidos pela influência, por pódio

Quando no peito não há tiro
Há medalha de sorte no mérito
Há derrota da morte pra sobrevida
Não estira, apenas existira

Chapéu se tira pra quem vê
Na vida a glória de ensaiar viver
Torcer o simples e colher o pouco
O pouco que ainda preenche sufoco

É a beleza localizada na mente
Doentes as de alguns indigentes
E fortuna boa ao humildes de essência
Garantidora da longevidade e vivência

terça-feira, 25 de julho de 2017

A priori

Nem sido fácil tem
Um furo no sapato do descalço
Sono leve de pavio curto
Um grito para derrubar os muros
Buracos no colchão são refúgios
Umas bagagens na bolsa velha
Camisa sem primeira casa
Uma lista de futuros urgentes:
saúde, paz e amor.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Frente Fria

Os dedos no teclado cotidiano
Olhos em palavras de terceiros
Rangidos entre dentes no quarto
A mão no cabelo enrolado

Um radar para multar o calendário
ou um buraco de dedão no sapato
Sem paradas despreparadas
Divórcio da essência e o palpável

Simplifica a capacidade da paz
a pouco mais de seis metros quadrados
Cercada pelas paredes do silêncio
A alma deita e se esquenta

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Amarela

Andando pelo campo verde
Sentindo cheiro de espaço
A distância entre mim e ninguém
Margem circular ao rodar os braços

Olhando para o próprio flerte
Recaído sobre o teu encanto
Encontrar-te dentro do uno
Notícia dada em envelopes e laços

Entretanto risco, embora ter-te
É alimento da vida, brasa viva
Faz-se vício, face ao tempo
Movimenta frente e entoa passos

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Una mas

Como sair do celeiro
De sua zona de conforto
Arcos, aros e maracatus
Samba do Rio de Janeiro
Curtido desde o aeroporto
Amigos de sorrisos nus

É desdobrar o papel de mundo
Percorrer outros ares
Fotografias em nova realidade
Línguas dobradas em segundos
Artesanais, carnes e mares
Uma volta que aguarde

No centro da história
Tranquilidade referencia
Bons Vivants espalhados
O verde da vitória
Nos dedos diferencia
Animais bravos dos mansos

O aroma da melhor colônia
Em notas de mar e guitarra
Retorno entre antigo e moderno
Suspiro gravado na memória
Bagagens de volta pra casa
Passagem daqui pro eterno

terça-feira, 11 de abril de 2017

Conexão

Anos de labor
Ofício de segunda a segunda
Banaliza o sabor
Inexplica a pergunta

Padrões e porões na memória
Rascunhos à limpo
Pessoas e glórias
Dividindo caminhos

Outras bagagens e passagens
Novos destinos
Decolagens

Lembranças e saudades
Voos domésticos
Aterrissagem