segunda-feira, 11 de junho de 2012

Con ghiaccio

O hidro mal sabia a água por vir
Do quão logo o seco se faria lama
No palco instrumentos em chamas
Feito rito contínuo em solos
Por enquanto outro linguajare
Na linha de outro estado, outra forma

O limite do café blues das dez
Indas e vindas teletransportadas
Concentrada em boas mãos
O ruim caiu em desuso
Nem se recompensava por isso
Em cartaz a miscigenação musical

O retorno a casa antiga
Assegura a volta do bom tempo
O déjà vu mais estrelado do ano
Uma remessa selecionada na praça
Em transe se esvai da matéria
Pecado dizer ser o último

O bom filho a casa retorna.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sobre-força

Translação de Vênus em Sol
Só o que se viu foi a Lua
Dá luz ao olhar
Fenômenos em sobreposição
Respiração universal
Bons sinais em curto prazo

Não se espera mais o dia seguinte
O que move é dia de encontro.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Junina

Ontem, primeiro dia da cheia
Na canga esticada na areia
Os céus conspiravam a'rtéria
A transformação da matéria
Unindo o concreto e abstrato
Redigindo um novo contrato
Pra agonia se acalmar

Agora só a vejo nos céus coloridos
Cartões postais, maravilhas surgindo
A mais nova toada das bossas
Que no peito amassada encosta
Envolvida pela brisa gostosa
Na paz do ronronar de Lindeza
Retirando por natureza o ar

Parceria de vontades as claras
Intercala entre cidades, escarpas
Mesma causa escrita em papel de rosto
Paladar que aguçado lhe dá o gosto
Temperado pela sintonia a gosto
Fica a espera do passar, pra perto
Certos do melhor esperar

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Flagrância

Da praça que identificava
Esperava o samba sair
Deixando perfume por ruelas
Sob claridade à luz de janelas
Advertência de aderência por vir


A espera da carta a residência
Tomando reto pela cidade torta
O que o calor no peito retoca
Sufoca no jeito o que calar
Rarefeitando-ar


Do ar são que infla o pulmão
Provar são a flor da pele
Provocar são do arrepiar pêlos
Da vogal sem consoante (dissonante)
Em sanidade a poupar.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tenacidade

Assim como caroço de azeitona
e banguelo não se entendem
O revés de toda a lógica destende

É cheiro de terra que molhada avisa
E que quase não mais preconiza
Tais convicções de um vento sul

Não espere do farol a retidão
Sua luz é que gira o que cerca
Transla e rotaciona, dita a estação

Enquanto brilha uma face
a outra permanece escura
Desequilibra e MOVE a alternância

Como o pecado da gula
Serve a vida em prato fundo
Antes dele se quebrar.

domingo, 13 de maio de 2012

Octopoda

Efeito tsunami ladeira a baixo
Água salgada pra limpar
O braço que divide
as vezes faz força
Uma hora volta
Quesitossegos
Só rindo vejo
Ne'nsejo
Pingo é
ponto
.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Quarteirão

Do não pensar se concebe a inexistência
Inexistir também é virtude

As vezes caminho nas ruas pra ver e ouvir
O que da cidade não pode sumir
O que dela não se pode arrancar
E o que de mim fica ou se (e)leva

Trago no peito o que não se diz
Porque em sã/vã consciência condiz
Tudo o que se pode inmaginar

É, veja só...

Nem sempre o que vem é pra ir
Nem sempre a alegria é de sorrir
Assim como o choro não leva ao fim

E como os dias sem ti
Não trazem sua presença
Assim permaneço sob a crença
Do quanto atemporal é seu sentir

Sua existência se faz vício
Daqueles sem fim, meio e início.