quarta-feira, 3 de julho de 2013

A via

Em que pese o que se voa
Embora se a mente destoa
Povoa! Enche-me os dias
Ancora sentada na proa

Se ao lado a maré vira
O porto do barco gira
Pira! São fogos de São Pedro
Fogo, medo, pavio e mira

Pelas placas sem saídas
Nas estradas as vidas
Idas! As voltas que se dão
Manutenção em quando envelhecidas

Uma esteira criando aderência
Repulsa o que é de aparência
Evidência! É seu cultivo
São safras e suas tendências

São vias.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Desfarrapada

O que poderá ser deste
Se não mais enxerga o lado
Se já não amarra o sapato
Exala em notas as vontades

Não mais lê o jornal
Apenas compra as notícias,
a opinião e a desculpa

Discurso na ponta da língua
O mais distante possível do cérebro
Usa muletas pra não cair
Mesmo não as precisando

De frente à depressão
Impulsiona para o salto
É dia de assalto
Tirar o quê de quem

E uem!

domingo, 5 de maio de 2013

Pretextualizar

Mas que loucura
Teorias guiadas às escuras
Preços e medidas que os meçam!
Fá-los terem a sobra
A desculpa pro que não presta
Isentam-lhes as cotas
Chicoteando as arestas

O suor é terceirizado
A informação, canalizada,
mastigada, pra tão logo digerir
E logrado o efeito
Mascaram-se os defeitos
Pra só então poder sorrir
e gozar do pleito

O crítico entrou em extinção
Risco à sobrevivência da humanidade
Uníssonos em uma canção
Boníssimos para sociedade
Fazem disso razão
E espalham pela cidade
Foragidos os que não, os que sim bem à vontade

terça-feira, 23 de abril de 2013

Friagem

Não cruzo mais nos teus caminhos
Diretas ou curvas desertas
Os pés não pisam, as mãos não tocam
Se quando chove, não molha

O sono que tira o sonho
Delírio que não vê a hora
Sufoca o ar vazio, o frio lá de fora

sábado, 20 de abril de 2013

Marca passo

Coração pela rua, coração só na sua
Há o que sai pela garganta
e o que escorre pelas mãos

E os poréns.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Desmaio

Por entre os pedais do Centro
Em corredores de cimento

Onde sopram a estação noturna
Em que dias sedem seu tempo à lua

É hora que os pés se debatem
Os cachorros nos quintais latem

É vulto passando por imagens
Da baia de Vitória às margens

Do lado de lá da calçada
Está toda a moçada
Assustados com a menor fatia
de todas estatísticas do dia
Pois são assim e devem ser
Caso não, haja rua pra correr
Pena estarmos na mesma avenida
Em paralelas seguindo a vida

Vocês de lá, eu de par.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Rá! Cèu.

Por essas curvas em que passei
Um vestígio, um delay 
O retrato da infância

Do Saldanha ao cais
Tais pensamentos mortais
Desfilam em perigo urbano

Tirano lhe desvia o olhar
A lua que lhe tira o ar
Que no mar se faz brinco

O ponto onde volto
Onde do bonde salto
Sem chão nem céu.