quarta-feira, 16 de julho de 2014

0,42 segundos

Pior quando lhe travam por si
Sem saber a quem, sem saber a qui
Que pese todo o feito
Seja ele bom ou quase perfeito

O que a inconsequência perde
pra tudo o que não se tem razão
De ruim, quando descamba pra má ventura
De melhor quando se vive, se respira

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Tamisação

Como moeda que cai na areia da praia
Enfiada no mundarel de grãos
Esperando por um vento maral
Que lhe descobrisse até que a vejam
Até que deem seu valor

terça-feira, 25 de março de 2014

Tiração

Tirei minha primeira folga
E fui trabalhar
Tirei minha segunda
Indo estudar
Tirei a terceira folga
Pra tentar dormir

Daí fiquei exausto
Cheio de grana
E não quis mais tirá-las

Assim, tirei o trabalho
E não produzi
Tirei-me os estudos
E emburreci
Dos sonos tirados
Colori as olheiras

Daí fiquei com a liberdade
Cheio de pobreza
E resolvi não tirar mais nada

Agora acrescento medidas razoáveis
de 'cada coisa no seu lugar'
E corro da falta e do excesso
Sempre acompanhado de perto
pelo 'sem tirar, nem por'
Deixando estar errado ou certo

Sem início, nem fim
Apenas meio.

quarta-feira, 19 de março de 2014

CoLapso

O absurdo é possível
Condicionado ao vulnerável
Dispensando-se o crítico

Ah, não! Desse, não!
Do crítico não precisamos
Precisamos de uma mão
Bradavam, escondidos

Há cinquenta anos
Trocou-se a ameaça por ditadura
Numa desculpa importada

A cortina linha-dura
Fez do vermelho, sangue
Do branco, do negro
Dos corpos e das almas

Cruz e espada de um só lado
Ultrapassaram o passado
Vivas em desculpas esfarrapadas

E a rédia vai no povo
Dinheiro vai pro bolso
Na bolsa, o ópio
No fundo a vida do pobre

O absurdo é possível.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Galo

O gole preso no gargalo
Quando perco a voz
É quando melhor me calo

Quando num trago
Num frago se trá-lo
Um peito em prensa
A gota que não compensa

Um fim em ralo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Língua de sogra

Pra se provar a culpa
Não precisa levantar muita coisa
É só deixar o culpado falar

Se lhe cabe a culpa
A razão cede às desculpas
desconexas, lançadas ao ar

O tolo está mais preocupado
com o retruco da conversa
do que em dar razão ao se pensar

São frases saindo pela culatra
Em defesa de sua pseudocontraposição
Preferindo a formalidade da ignorância
ao desconforto da militância, pura opção

Fala-se em um leão por dia
Vê-se que leão é a sombra de um gato
Escaldado, arrepiado de medo
Virando a próxima esquina

O pior é que sabe disso tudo
Do quão sórdido conteúdo
Que por si só o faz dormir
Com uma pedra no travesseiro

Que lhe pesa a consciência
Dorme o sono de um zumbi.