sábado, 28 de maio de 2016

Supremo Tribunal de Vida

Nada se entende

São cacos de vida colados e lançados
Caros, não de preço
Cobrados em breve momento
E quando contínuos,
rompem o elo da realidade

É a tendência de julgar raso,
sem toga
No conforto da preguiça
Pensamentos e sentimentos
atrofiados pela urgência

Não que todos devam
ser peritos de tudo
Mas que, cientes do que são
Admitam suas limitações

Pessoas não são pra sempre
Nem tampouco as mesmas
Cuidar bem 
Exaltar só bons adjetivos

terça-feira, 10 de maio de 2016

Segunde-se

Já faz muito tempo
Que há poucos dias
Tinha mais de anos
Muito mais que anos
Que se encontrava

Quase teve um nunca
Vez em quando, quando
Pense o quanto como
Já nem sei sem canto
Se nem sempre somos

Mas se quase mudo
Vira e volta mundo
Sem embora fora
Sempre ora junto
Muito embora surdo


Beba água, durma sujo
Sua alma, seu escudo

terça-feira, 22 de março de 2016

Panaceia

Se te mostras discretamente
Terás atenção de quem vê
o que não disposto em destaque

Estes enxergarão a fundo
E provavelmente se apaixonarão
pela realidade que lhe encube
E não pelo que desejariam ver

Quem não vê tais grandezas
E insiste na amostra do aparente,
em cada centavo terá o troco

Reconhecerão sua casca
Que de tempos em tempos cai
num processo exposto e doloroso
Requer alto custo na vida

Aceitar-se para o aceite.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Pedrangular

No meio da roda, uma pedra
Ninguém dá a mínima
Pois, no meio, não impede o giro
Mas nem sempre o giro circula

Muitas vezes passam por cima
Noutras chutam, arremessam-a
Não percebem, mas repetem tal mantra
Capaz de anular os sentidos

Trocam de lado, giram em outro sentido
E nem assim, se dão conta das feridas
Nem assim, se dão conta do que fazem,
do que falam, e do porquê giram

Têm horas que o suor da mão escorrega
e todos caem para trás, sinergicamente
Então quando abrem-se os olhos
O que se vê são marcas

Os que chutaram, têm pés esfolados
Os que arremessaram, mãos esfoladas
Os que nada fizeram, agora sangram
Devido aos ponta-pés e arremessos daqueles

De forma surpreendente, observam-se
E um novo mantra se compõe:
A culpa é da pedra!

Sim, foi ela quem causou tamanho estrago
Quem impediu o giro perfeito
Quem interrompeu o uníssono mantra

Rapidamente, posicionam-se longe da pedra
Curativam suas chagas, vedam-se olhos e ouvidos
Retoma-se o sentido, o giro, o mantra

A roda regira, cheia de orgulho
Muita disposição, muito suor
E novamente, chão!
Novamente a pedra! A culpa!

O giro e o ciclo se repetem
Nascendo ou morrendo
Passam a vida apontando a culpada
Até que os dedos das mão lhes faltem

Até que sejam acometidos pelo silêncio
Em que as pálpebras se abrem, finalmente,
Sendo visto a quantidade de pedras
Não mais as mesmas, mas pedras

As que toparam antes, já não se encontravam
Pois foram lançadas para outro lado
Mas a roda percebe que apesar de poucas
As pedras eram suficiente para atrapalhá-los

As pedras circundadas ali
Foram lançadas, odiosamente,
Por eles mesmos, anteriormente
E por outras rodas impiedosas.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Nó atrioventricular

Nada melhor do que pensar no próximo
vacilo dos outros, deslize dos mesmos,
descuido convosco, tirar de sossego.

Na próxima, nada melhor do que pensar
no si, em se desmentir, sem se eximir,
se assumir, se ilidir, falar sem cuspir.

A culpa e o perdão lado-a-lado do sujeito
Dependendo do tanto, não se tira proveito
Só preconceito, nada de espanto
A opinião é mastigada e degustada no engano

Hora de bater no peito e brindar a glória:
Mais uma mente ferida, uma alma simplória
Um corpo vagante, vivendo apenas refrão
Viagem dos outros, e o seu(s)... sempre são(s).

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Se mestre

Já não se fazem nuncas como os de antigamente
Hodiernamente, poucos são os que restaram
Feitos meta, sucumbem um-a-um
Assim como os sempres que se passaram

A língua entre a pressão dos dentes
Remete à dor dos vocábulos proferidos
É sangue vertido pelos diálogos
Locupletando a taça dos monólogos

Faz-se brinde ao que fora ao vento
E ao que chegara superveniente

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quedê?

A arte que parte
Na tarde que arde
Besteiras de alarde
Da parte que arde
Embora que tarde
Resulta de arte