quarta-feira, 24 de maio de 2017

Una mas

Como sair do celeiro
De sua zona de conforto
Arcos, aros e maracatus
Samba do Rio de Janeiro
Curtido desde o aeroporto
Amigos de sorrisos nus

É desdobrar o papel de mundo
Percorrer outros ares
Fotografias em nova realidade
Línguas dobradas em segundos
Artesanais, carnes e mares
Uma volta que aguarde

No centro da história
Tranquilidade referencia
Bons Vivants espalhados
O verde da vitória
Nos dedos diferencia
Animais bravos dos mansos

O aroma da melhor colônia
Em notas de mar e guitarra
Retorno entre antigo e moderno
Suspiro gravado na memória
Bagagens de volta pra casa
Passagem daqui pro eterno

terça-feira, 11 de abril de 2017

Conexão

Anos de labor
Ofício de segunda a segunda
Banaliza o sabor
Inexplica a pergunta

Padrões e porões na memória
Rascunhos à limpo
Pessoas e glórias
Dividindo caminhos

Outras bagagens e passagens
Novos destinos
Decolagens

Lembranças e saudades
Voos domésticos
Aterrissagem

segunda-feira, 20 de março de 2017

Porta 7

Se por ruelas o samba se esvai
Estão nos blocos, os caminhos do centro
O som da baqueta na pele
Reverberando pelas paredes antigas,
Sacudindo as estruturas em rede,
E, por vezes, causador de intrigas

Se sambar fosse fácil,
o salto percorreria mais um metro
Descalço, o sol sobre o asfalto
Ditando a impulsão do solado
Rodopiando-se por vento certo
Esbarrando no tolo e no esperto

Uma carona de catraia à vapor
Em navegação marolada
Como Cabral a caminho das Índias
Último enredo antes do final
Andar na calçada e furar o sinal
Vê-se a pedra e a curva

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Deslimitarizar

Uma manada sem calma
Urrando o que se manda
Marchando sob a flâmula
Aponta a direção futura
Expõe a ferida e o sangue
Esconde-se a fratura

O que lhe convêm, enaltece
Desconhece a história
Logo, de onde vem
Visualizando apenas a glória
Segue desfilando Hollywood
Não descansa quando anoitece

No claro do dia se projeta
O medo espalhado no escuro
Poeira criada como escudo
Restando apenas que se proteja
De suas próprias patas
E do ódio que das mãos goteja

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ultrapassagem

O trapaceiro, mentiroso
Não perdura no real
Ilusão criada pra si
Sem base, tudo pelo ar
Articulações precárias
Soluções arbitrárias

Suicida sua moral
Pra que no final
Tenha um vira-latas
Que lamba seus sapatos
Envernizados em lama
A troco de farrapos

Rejeita nos outros
O que não pode ser
Vomitando risadas
Sem ter do que rir
Longe do chão
Mas perto da queda

Pode atrapalhar
Parar, jamais!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

FPS 30

Feridas visitadas
De portas atadas
Selando o remendo
Indo casa por casa

Prosa jogada na cozinha
Mesa posta
O sujo foi para área
Lavado e batido à mão

Quarando estão ao sol
O de verão é ágil
Seca, mas não torce
E se bobear, queima

Passa-se um lado,
Amarrota-se o outro
E haja vapor
pra afastar o calor

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Bonan Novjaron

Querem de ti
O que não podem ser
Dependentes do que és para tanto
Não, já não causa espanto
Sentenças batidas
Convertendo-se em verdades

É como antigamente
Assumia-se a mão
De poucos anéis
Hoje são mãos dentro do bolso
Pra não dizer ao alto
Tomando a moral de assalto

Na consulta do crédito
O nome negativado
Leva pra longe o circuito
Fechando-se em curto
O que fora conduzido
Mas nem sempre manipulado