terça-feira, 27 de novembro de 2012

Com que samba

Quando o samba cai
E a tristeza desce
Estremesse as pernas
O bamba entristece

Quando o samba sai
Não há mais sossego
Inseguro lhe põe medo
Tarda o dia logo cedo

Quando o samba vai
Mais coração aparece
E de logo o que merece
Sem nem rogar em prece

Onde o samba é pai
O filho participa da roda
Melodia, verso e nota
Rua-a-rua, porta-a-porta.

domingo, 18 de novembro de 2012

Soneto pra boi dormir

Entrar de rabeira na nuvem
que por ora sobrevoa a casa
Entre vindas idas ao caso

Transitar pelas ruas só pra ver algo vivo
Precede os dias que em vultos passam
dentro de fora dos meios em conflito

De lado-a-nado pela cachaça
Quem tem que sofrer pra aprender
O mesmo que antes criticara
Chama-se tempo a perder

Só ruelas e becos não podem ser
Os trilhos de quem busca liberdade
A vida está além do explorado, do conhecido
Aquém da calmaria, além desse alarde.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sinestesia

Fazer o mundo em tão pouco tempo
Acho que só deus mesmo
pra fazê-lo em seis dias
E ainda conseguir descansar no sétimo

Cada um em suas grandezas
Os dias voam em ritmofegandi
Não vejo o sétimo, só oito ou oitenta
O ponteiro conta cada ação

É a velha nostalgia dos mendigos da rua
Que por aí, estando ou não, tanto faz
Ora que nem o vento coopera

domingo, 21 de outubro de 2012

Dez em cadeia

Que os que lhe cercam
Caminhem junto contigo
Sempre bom é tê-los
Queridos por perto

Com penar de uns
Bambeados no caminho
Nada há que se fazer
A naturalidade é quem dita

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Apneia

Nem a bossa usada
e o rock vendido
Nem a boca fechada
e o olho perdido
A postura taxada,
o controle impedido
A roda parada,
o sentido atingido

Sem a pátria amada
e o teor tingido
Sem a loira gelada
e o cowboy servido
A salada amarga,
tira gosto ingerido
A faz quase nada,
b o excessivo

Não ser os extremos
não é ser nada
Como não ser tanto
é quase isso.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Metha-phocus

Projetar do sono o dia bonito
Acordar aos poucos em meio ao sorriso
Faz ditar ao tempo seu próprio estilo
Dotando sentido e medida ao andar

É que a pele a'coberta por inteira
Dois bons goles na cachaça mineira
Olhando a beira, soprando a eira
Deixando estribeira por encantar


Quando se concentra em tal
Não há quem te leve a mal
Hão de te elogiar
Só não vai te enganar pelo que diz
A superfície do pobre verniz
Que esse mundo vai pintar

Não te contarão segredos
Omitirão e porão medos
Pra saberem onde chegar
Caiba em ti o despertar
Qual e pra onde apontar o dedo
Que o teu rumo irá guiar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lustre

Em lençóis, eles são, eleições
Em leilões de tudo, almas preçadas
Precisadas em duas vezes eternas
Que obriga o comparecimento fiel
Que deposita na caixa o revel
O lastro que equilibra a nau

É cheiro das falsas poesias
Cerimônia pra tão poucos personagens
Farra da liberdade!
Verniz de sensação participativa
Um dedo pra dois botões
E lá se vai a manhã de sono de domingo.