quarta-feira, 27 de março de 2013

Rá! Cèu.

Por essas curvas em que passei
Um vestígio, um delay 
O retrato da infância

Do Saldanha ao cais
Tais pensamentos mortais
Desfilam em perigo urbano

Tirano lhe desvia o olhar
A lua que lhe tira o ar
Que no mar se faz brinco

O ponto onde volto
Onde do bonde salto
Sem chão nem céu.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Gangorra

Não sabem o que leem
Ora sim, ora não, ora às vezes
Embora salva a alma
O medo lhe prega à madeira,
sobe a ladeira, come o dobrado
Ecoa o viver em pecado

Furtam-lhes o óbvio
Lentes de contato nos olhos
O absurdo se torna melhor
Estranheza do normal é pior
Enterrados vivos a esperar

Suprimido em dias
Comprimido em noites
O corpo não o cabe
O fingir que não sabe
é quem traz o conforto

Confrontar a existência
Tolerar consequências
Afagar a dor de não ser
E querer ter o que não é
Pior... O que não pode ser.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nós

Se não houve um dia de pé
Restaram todos os que não
Finaliza em soro, injeção

Madrugadas em bloco
Alvoradas sem foco
Apesar do barulho
Minha paz à dois

O ano começa
E o amor continua
O mundo estremesse
E o porto segura

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cabra-cega

Uma barra, um código de barras
Em que pese mais conhecimento
Pese e lhe põe ao solo
Abaixo da linha da pobreza

Vestida de progresso está a ordem
O lendário lobo em pele de lã
Calando-os com borrachinhas de dinheiro

Eis que são em poucos
Assim como ter é ser
Sendo que em não se tendo
Basta sobreviver

Como brincar de vivo-morto
Vivo-morto-morto-morto!

Não se dimensionam
Nem se entregam ao penar
Sorriso de ordem o move
Comove, contém, repulsa

Morto-morto-morto-vivo!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Condução

Sobre o tempo anda em baixa
Sobrevive numa caixa
Baixa, desproporcional

Matérias e matérias mastigadas
Cuspidas em cima de plugues
Talvez o que salvasse do real

Seja quanto o desespero
Mulatas, gols e enredo
O afago ao virtual

Sobre as marquises, sonho
O que lhe dê a vida
Entre as viseiras, sono
Passaporte de ida

Naufrágio dos quatro elementos
Emparedados no cimento
Nos enquadros do legal

Liberdade na lei do mais forte
Em que nem sempre é contar com a sorte
Trilhadas por vil mortal

Submundo do cão
Todos do mesmo saco de ração
Exceção de consciência visceral

domingo, 20 de janeiro de 2013

(onda)intervalo(onda)

Mais chuvas de verão
Daquelas de efeito ciranda
Do mormaço à pancada
Onde se está, por onde anda

Como em gangorra
Quanto maior o impulso,
maior o salto, e,
o fim está nas mãos, ou não

Mas sempre um fim.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Aqui-se

A incondicionalidade é o norte
Nem sempre estamos tão próximos
Esse é efeito da vida
O: "aqui se faz, aqui se vive"

Entre boas e más venturas
Desfaz e também segura
As lições que lhe tiram
As que tiram de lição

A não-plenitude não inviabiliza
Assim como nem tudo é razão
No peito de cada, um coração
Arrancando todos os porquês

Ora responde, ora resposta
Amor não vive só de paz
Seria o silêncio de bonança
É o melhor a fazer à outrem

O maior e melhor possível.